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Wednesday :: 16 / 05 / 2012

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Conheça o caminho para ser professor


Imagine aos 22 anos de idade entrar numa sala de aula de umauniversidade pela primeira vez. O nervosismo pode ser até normal. Afinal, hácolegas desconhecidos, tudo é novidade e as expectativas nem sempre sãocorrespondidas. Difícil? Agora imagine que você não entrou nessa sala pelaprimeira vez para ter aulas, mas sim para dar aulas. Pois foi o que fez LuísMauro Sá Martino, jornalista e professor em mídia e comunicação da FaculdadeCásper Líbero. Ele iniciou oficialmente aos 22 anos sua carreira comoprofessor, mas começou a descobrir seu dom para a docência ainda antes disso,dentro da própria instituição, quando era aluno. Ingressar na carreiraacadêmica não é necessariamente o sonho somente de quem faz cursos delicenciatura. A questão é descobrir quando se têm afinidade e como se podecaminhar para uma carreira no campo da docência.

Enquanto cursava o terceiro ano do curso de jornalismo,Martino participou de um projeto de iniciação científica que aguçou seuinteresse pelos estudos. Sua vontade de dar aulas foi desperta através doconselho de um professor que percebia nele um grande potencial. Além disso,surgiu a chance de substituir um professor de outra universidade durante umasemana. "Não sei se os alunos gostaram, mas eu gostei", brincaMartino. Formado como bacharel em jornalismo desde 1998, esta rápidaexperiência o encaminhou ao mestrado em setembro do ano seguinte, que foi opasse de entrada a sua primeira turma, conquistada em março de 2000.

Embora existam casos como o de Martino, eles não são o modomais comum de se começar como professor no Ensino Superior, mas quem ainda nãotem o diploma de pós-graduação e deseja se tornar professor não deve desanimar.Segundo números divulgados pelo Inep (Instituto Nacional de PesquisasEducacionais), do MEC (Ministério da Educação), em 2006 havia no estado de SãoPaulo 75.267 professores. Destes, 8.443 lecionavam no Ensino Superior apenascom diploma de graduação. O número de docentes com especialização lato sensuera de 17.557, e com pós-graduação stricto sensu, 49.245.

Para quem já se decidiu pelo campo acadêmico, a coordenadorado curso de pedagogia, multimeios e informática educativa da PUC-RS (PontifíciaUniversidade Católica do Rio Grande do Sul) Helena Storleder Côrtes explica queos processos para ingresso nas instituições são diferentes a depender se sãopúblicas ou particulares. No entanto, cada vez mais se procura aespecialização. Para ela, a formação acadêmica apóia-se num tripé, que envolveas seguintes características: o domínio na área do conhecimento; a experiênciaprofissional naquela área; e o domínio didático-pedagógico.

O problema levantado por Helena é que dificilmente háprofissionais que unam estas três características e geralmente é o terceiro péque falta, o que cria uma queixa permanente. E para quem reconhece que nãodomina a didática, a coordenadora sugere que se encontrem alternativas. "Osujeito é o grande responsável por seu futuro profissional", resume ela,que diz que quem deseja obter prática, além de lecionar em cursinhos, colégioou dar aulas particulares, pode cursar especialização para metodologia doensino, ou até mesmo mestrado em algum curso de licenciatura.

Helena aponta barreiras também nas exigências ao EnsinoSuperior determinadas pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal deNível Superior), que exige do professor que além de ministrar aulas, tambémseja pesquisador. Muitas vezes, este fato ocasiona deficiência no ensino, poiso professor não teria preparo adequado para lecionar por nunca ter dado aula enem se preparado para tal atividade, já que nunca fez um curso de licenciatura.

Mas o processo de especialização em dar aulas não precisacomeçar logo depois do curso universitário. "O aluno pode se preocupar emparticipar de equipes de pesquisa e monitorias, pois a partir do momento queele consegue isto, é possível conviver mais no meio acadêmico e desenvolverhabilidades", afirma Marco Aurélio Bertolazzi, coordenador do curso deadministração da UCS (Universidade de Caxias do Sul). Martino também apóia ocontato com a pesquisa dentro da instituição de ensino, por mais que o alunonão venha a desempenhá-la futuramente. "A iniciação científica é tãoimportante quanto as disciplinas essenciais", garante Martino. Para ele,nem tudo o que o estudante aprende irá exercer, mas possui um valor importante.O professor usa o curso de jornalismo para exemplificar que por mais que seestude fotografia, rádio e televisão, não necessariamente o aluno vai atuarnuma dessas áreas.

Estudante do terceiro ano de letras na USP (Universidade deSão Paulo), Anna Karolina Miranda Oliveira optou por um curso de licenciaturapor ter afinidade com a docência. Ela afirma que essa aptidão foi notada porela durante as aulas, na época do cursinho. Mas Anna Karolina tem planos delecionar no Ensino Superior e para isto se prepara desde a graduação. Ela participade um projeto de iniciação científica e é estagiária do programa Scielo(Scientific Electronic Library Online), uma biblioteca virtual resultado de umprojeto de pesquisa da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de SãoPaulo), em parceria com a BIREME (Centro Latino-Americano e do Caribe deInformação em Ciências da Saúde).

"Faço iniciação científica justamente para descobrirque mestrado prefiro fazer", afirma Anna Karolina. Ela, ao contrário deMartino, não pretende iniciar a vida acadêmica direto no Ensino Superior.Antes, pretende lecionar em colégios, pois acredita que será muito jovem parase deparar com uma sala de graduação. A estudante admite que isso talvez adeixe acanhada por ter alunos mais velhos que ela.

Para o vice-presidente do conselho estadual de educação,João Cardoso Palma Filho, que também é professor do instituto de artes da Unesp(Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho), a experiênciaprofissional é valida, mas varia muito de curso para curso. Na opinião de PalmaFilho, a experiência prática e a realização de cursos fora da universidade nãotêm muita influência caso o docente lecione disciplinas estritamente teóricas.Mas para ele, quando se trata de cursos práticos a coisa muda e a conhecimentopassa a pesar mais.

Para ilustrar seu raciocínio, o vice-presidente cita oexemplo de um médico que atua fora da universidade, ou um advogado que possuiescritório próprio. De acordo com ele, essa vivência tornaria mais prático umcurso ministrado por profissionais desse perfil. A solução pode ser como aescolhida por Martino, que mesmo tendo ingressado cedo na docência nunca deixoude atuar como jornalista. Martino conta que ter um pé no mercado faz com queseja possível unir prática profissional e a teoria associada a essa atividade,o que beneficia o trabalho elaborado dentro da sala de aula, o terceiroelemento desse tripé: domínio didático-pedagógico.


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